Educação

Escola da URI Santiago

Festa da família na Escola da URI Santiago, 20/08

Correio do Amor - cartas contra o algoritmo

Na Escola da URI Santiago, a escola ousou interromper a pressa do mundo para nos lembrar que afeto não se envia por emoji's, mas vibra na voz e no olhar dos pequenos que subiram ao palco na Festa da Família – Correio do Amor. Foi um resgate de um tempo em que a espera por uma carta era ritual de ansiedade doce, quando cada palavra tinha peso e cada envelope carregava um pedaço da alma de quem escrevia.

Os alunos, com a pureza e a entrega de quem ainda não se rende ao cinismo adulto, emocionaram os pais, as mães, os avós e familiares, sob a batuta paciente e cuidadosa dos professores regentes. Coordenação e equipe diretiva costuraram cada detalhe desse espetáculo, não como burocratas de rotina, mas como artesãos de memórias, provando que educação é, também, ato de amor coletivo.

Mas o contraste é inevitável, vivemos em 2025, a era do “correio instantâneo”, onde o afeto foi sequestrado pela tirania da notificação. Estamos no mesmo sofá, na mesma mesa, no mesmo ginásio… e, paradoxalmente, em cavernas digitais distintas. Cada um hipnotizado pelo reflexo da própria tela, como prisioneiros encantados pelas sombras de story's e feeds infinitos. “Estou com meu filho, com meu marido, com minha esposa, com meus amigos” e repetimos, mas será mesmo? Ou apenas estamos fisicamente presentes, enquanto nossas mentes deslizam em loops intermináveis de likes, reels e ilusões fabricadas em tela brilhante.

A festa, com seu Correio do Amor, cutuca essa ferida com poesia e ironia: amar é carta escrita à mão, é presença que não depende de wi-fi, é silêncio partilhado sem pressa de atualizar a página.

E lá estavam as imagens, nossas lentes capturaram lágrimas discretas, sorrisos largos, abraços apertados e olhares demorados. Cada fotografia é prova de que, apesar do algoritmo, o humano ainda resiste.

O evento não foi apenas uma homenagem ao Dia dos Pais, foi um convite, um lembrete, um desafio. A carta chegou: resta saber se ainda sabemos abri-la.


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