Educação
Escolas da URI Santiago
Teatro de Páscoa, 31/03
Entre galinhas, coelhos e ressurreições
A Sexta-feira Santa é o silêncio da história. É o momento em que a tradição cristã recorda o sacrifício de Jesus Cristo na cruz, a pausa pesada antes da virada.
A Páscoa rompe esse silêncio. Celebra a ressurreição, a vitória da vida sobre a morte e a promessa de que sempre existe possibilidade de recomeços.
Símbolos antigos, profundos, e curiosamente vivos.
Talvez por isso eles tenham encontrado palco, cor e imaginação no "Teatro de Páscoa" apresentado pelos professores da Escola da URI Santiago.
Nas imagens que acompanham este registro, mais do que figurinos e encenação. Vemos professores transformando ideias complexas em algo que até uma criança consegue compreender sem esforço.
No enredo, o galinheiro entra em crise, as galinhas se revoltam, sentem-se esquecidas, injustiçadas. Afinal, são elas que colocam os ovos, e, ainda assim, quem recebe os holofotes da Páscoa são os coelhos. A indignação cresce, o galinheiro entra em ebulição e uma, improvável, greve geral das galinhas parece inevitável.
O confronto acontece. E então vem a descoberta simples, quase óbvia: os ovos simbolizam vida nova, renascimento. Os coelhos, antigos símbolos de fertilidade, tornaram-se mensageiros dessa mesma ideia. Não havia rivalidade, apenas papéis diferentes na mesma história.
Entre risos, aplausos e olhares atentos das crianças, ávidas, curiosas, absolutamente mergulhadas na história, o teatro revelou algo que nós adultos temos um talento especial para complicar: "a simplicidade dos símbolos".
Um ovo pode ser apenas um ovo… ou pode lembrar que a vida insiste em recomeçar. Um coelho pode parecer apenas um personagem… ou um antigo sinal de fertilidade e renovação. As crianças entendem isso com uma naturalidade desarmante. Nós, adultos, preferimos teorizar.
A iniciativa, conduzida pelos professores da escola e pela equipe pedagógica, e gestora, sob a direção da professora Rose, mostra o que acontece quando educação encontra criatividade: aprendizado deixa de ser conteúdo e passa a ser experiência.
E, então, uma provocação discreta.
Chega a Sexta-feira Santa. Chega a Páscoa. As timelines florescem com frases solenes, reflexões sobre amor ao próximo, convites à gratidão. Por alguns instantes, parecemos uma comunidade inteira de pensadores morais.
Pouco depois, o mundo retoma sua coreografia habitual: "pressa, disputas pequenas, certezas barulhentas, como se a caverna tivesse apenas trocado a iluminação por algumas horas".
Enquanto isso, diante do palco, as crianças apenas assistiram à história do galinheiro em revolta e da inesperada reconciliação entre galinhas e coelhos.
Sem discursos, sem performances de virtude, apenas atenção verdadeira.
Talvez haja aí um detalhe curioso: os símbolos da Páscoa não parecem difíceis de entender, difícil mesmo é viver como se "tivéssemos" entendido.
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