Educação

Escola da URI, Santiago / RS

Festa da família, 1ª noite, 12/08

Pai é verbo, não Substantivo

Na noite de quarta-feira, 12 de agosto, os anos iniciais da Escola da URI Santiago subiram ao palco para celebrar algo que a modernidade insiste em relativizar: a figura paterna. Não um pai de manual de autoajuda, mas os pais de carne e trabalho, com barba, sem barba e mão calejada, de gravata ou bota de campo, cada um à sua maneira, todos convocados ao mesmo salão, tomados pela mesma emoção, pela ternura dos filhos.

Professores, e monitores, idealizaram e ensaiaram, turma por turma, apresentações carismáticas, reflexivas, com o apoio da equipe gestora. O salão vibrou. Crianças declamando, cantando, entregando aconchegos, olhares e sorrisos. E os pais, esses homens que o mundo por vezes ensina a esconder o que sentem, ali, de rosto aberto, com a alegria contagiante, brilhando, sem pedir licença a ninguém.

Roger Scruton chamava de oikophilia esse amor pelo próprio, pela casa, pela família, pelo lar, pelo que é nosso antes de ser de todos. Era isso que se via no salão: não um amor abstrato pela humanidade, mas o amor concreto por aquele pai, sentado naquela cadeira, comovido e emocionado com o filho.

E fica a pergunta, que a noite sem precisar dizer, deixou pairando no ar: caberá um abraço em alguns pixel's? resistirá uma voz a um áudio de quinze segundos? Nicolás Gómez Dávila escreveu que a técnica promete atalhos e entrega desertos. Formamos crianças cada vez mais hábeis a navegar telas e mundos paralelos, mas seguimos formando mãos capazes de reconhecer o peso real de um abraço, o timbre real de uma voz, a demora real de um olhar? Talvez a melhor forma de preparar para a vida real seja, simplesmente, insistir em vivê-la, todo santo dia, sem intermediários.

Fica o registro. Fica a imagem, roubada à tela por uma noite inteira. Fica, sobretudo, o convite: que a presença vire hábito.