Política
Câmara de vereadores de Itacurubi / RS
Sessão Solene - 38 anos de Itacurubi, 07/05
Onde a Memória Aprende a Permanecer
Existem cidades que nascem de decretos, e existem cidades que nascem da insistência humana.
Itacurubi pertence à segunda categoria. Uma cidade erguida não apenas por leis, plebiscitos ou linhas cartográficas, mas pela obstinação silenciosa de pessoas que decidiram transformar o chão em pertencimento.
No dia 07 de maio, durante a Sessão Solene em comemoração aos 38 anos de emancipação político-administrativa do município, a Câmara de Vereadores fez mais do que cumprir um protocolo institucional, fez aquilo que raramente o mundo moderno tem paciência para fazer: parar, olhar para trás e reconhecer quem ajudou a construir a própria história.
Em tempos onde quase tudo é descartável, homenagear trajetórias tornou-se um ato de resistência.
Sob a condução do presidente do Legislativo, vereador Ezequiel Soares, a noite reuniu autoridades, lideranças e comunidade para celebrar, não apenas o aniversário do município, mas a permanência de valores que o interior ainda preserva com certa teimosia: trabalho, fé, serviço e memória. Coisas raras.
O mundo anda ocupado demais tentando viralizar para lembrar quem realmente sustentou, e sustenta, os alicerces.
Entre os homenageados da noite, o título de Cidadão Benemérito concedido a Emerson Leandro Rocha reconheceu uma trajetória marcada pelo empreendedorismo, pela vida pública e pela dedicação comunitária. Um homem que atravessou o comércio, o serviço público, a espiritualidade e a liderança social carregando consigo algo que currículo nenhum consegue fabricar: credibilidade construída no tempo.
Da mesma forma, a outorga do título de Cidadã Itacurubiense à professora Andrea Salatti emocionou o plenário ao lembrar uma geração de educadores que ensinava muito antes da era dos projetores, plataformas e frases motivacionais de internet. Professores que alfabetizavam enquanto, também, carregavam água de poço, limpavam a escola, preparavam a merenda e, ainda assim, encontravam dignidade no ato de ensinar. Há uma espécie de heroísmo silencioso nisso. E talvez a fotografia exista justamente para impedir que esse tipo de grandeza desapareça no esquecimento.
Porque fotografar uma noite como essa não é apenas registrar rostos, é congelar aquilo que o tempo tentará apagar.
Cada aplauso, cada olhar emocionado, cada homenagem entregue diante da comunidade transforma-se em documento afetivo de uma cidade inteira. A fotografia deixa de ser imagem e passa a ser testemunha, uma espécie de memória com luz.
No fim, sessões solenes não existem apenas para celebrar aniversários políticos. Elas existem para lembrar que municípios são feitos de pessoas comuns que decidiram fazer algo incomum: permanecer, construir e servir.
E talvez seja exatamente isso que mantém viva uma cidade. A coragem e a grandeza daqueles que escolhem carregá-la consigo.