Tradicionalista

CTG Os Tropeiros, Santiago / RS

Domingueira no CTG Os Tropeiros, 17/05

Tradição é, antes de tudo, gratidão e consideração

Existem domingos que passam, e existem domingos que permanecem.

Não pela data no calendário, mas porque conseguem reunir aquilo que a modernidade anda desmontando aos poucos: memória, tradição, fé, família e pertencimento. Coisas que hoje parecem quase revolucionárias em um mundo onde muita gente conversa o dia inteiro… e ainda assim não sabe mais escutar ninguém. Ironia amarga do nosso tempo.

O domingo, 17 de maio de 2026, no CTG Os Tropeiros, foi exatamente isso: permanência.

A Missa Crioula abriu o dia lembrando algo que o povo antigo já compreendia sem precisar transformar em frase de efeito para rede social: tradição não é apego ao passado, é respeito por aquilo que nos trouxe até aqui.

E talvez nenhuma figura represente mais isso do que uma "mãe".

Porque mãe é o primeiro território de um ser humano, é a primeira voz, o primeiro abrigo e o primeiro gesto de fé antes mesmo da religião existir em nós.

Toda civilização que deixa de honrar suas mães começa lentamente a esquecer quem é. Nietzsche desconfiava da moral dos homens. Sócrates desconfiava das certezas humanas. Mas ambos talvez concordassem em uma coisa: uma sociedade incapaz de reverenciar quem sustenta suas raízes está condenada a viver superficialmente.

E ali, entre abraços, risos largos, reencontros e olhos marejados, havia algo raro acontecendo: pessoas vivendo presença verdadeira.

O CTG Grupo Nativista Os Tropeiros, sob a condução da patronagem liderada pelo patrão Anselmo, não realizou apenas um evento, construiu um encontro entre gerações. Um desses momentos em que a cultura gaúcha deixa de ser discurso e volta a ser vivida no gesto simples, no chimarrão compartilhado, na mesa cheia e na música ecoando entre amigos.

Houve homenagens às mães, reconhecimento a Jaime Medeiros Pinto e celebração aos 75 anos da Rádio Santiago, essa voz que atravessa décadas acompanhando histórias, madrugadas, lavouras, estradas e lares desde 1951. Porque rádio não é apenas comunicação, rádio é companhia, é memória falada e a prova de que uma voz sincera ainda consegue unir pessoas invisivelmente.

A equipe diretiva, comunicadores, locutores e colaboradores da emissora estiveram presentes recebendo o carinho que a história merece.

E então veio o almoço, farto, afetuoso, quase filosófico. Porque cozinhar para alguém sempre foi uma das formas mais silenciosas de dizer “você importa”. Merecido aplauso à equipe da cozinha do CTG, que transformou alimentos em acolhimentos.

As invernadas incendiaram a tarde com energia, orgulho e identidade. E a domingueira, animada por Marisa Machado e grupo, encerrou a tarde como deve ser encerrada toda boa celebração gaúcha: com música, dança e gente feliz.

No fim, talvez tradição seja isso. A arte de impedir que a alma de um povo morra no esquecimento.


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