Tradicionalista
CTG Os Tropeiros, Santiago / RS
Jantar baile de dia dos pais, 08/08
Pátria grande, coração maior ainda
No sábado, dia 8, o salão do CTG Os Tropeiros lotou de gente que sabe por que estava ali. Não foi apenas um baile, foi uma prestação de contas de uma cultura que teima em não morrer.
Homenageou-se o pai. E lá não teve choro de novela nem discurso arrastado, foi aquele respeito seco que o gaúcho carrega no peito e raramente solta pela boca. Burke já dizia que tradição é um pacto entre gerações, os que se foram, os que estão e os que vêm. Naquele salão o pacto ficou visível: o pai olhando o filho pilchado e reconhecendo ali o fruto do que plantou.
Depois vieram as invernadas em pré-estreia, molecada mostrando o resultado de meses de ensaio. Não é enfeite de festa, é disciplina virando dança. Scruton falava que a beleza é o que nos faz sentir em casa no mundo, e cada bota batendo o assoalho confirmava isso: gente jovem se sentindo em casa dentro da própria origem, coisa rara nos tempos de hoje.
Saiu o resultado da Ciranda. Saiu o novo prendado, entre lágrimas seguradas e abraços apertados, porque quem representa uma tradição carrega junto o peso e a honra dela.
A mesa, generosa como manda o costume, fez questão de provar que hospitalidade também se mede pelo tamanho do prato.
E quando o Garotos do Fandango subiu ao palco, o salão virou puro movimento. Gaita puxando, violão respondendo, gente girando até tarde. Ali ficou claro que tradição gaúcha não é peça de vitrine, é festa, é suor, é gente viva dançando o que os antigos deixaram.
As fotos que seguem contam isso melhor que qualquer texto. Um povo que resolveu não deixar sua identidade virar mera lembrança empoeirada. (Fotos: Caren Mendes)
Pai não se explica em sermão,
Se prova na estirpe que guarda.
E tradição não é mero brasão,
É fogo que arde e não tarda.
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